Era para ser uma tarde como outra qualquer, mas devido algumas mudanças, não foi.
O vento que ali passou, arrepiando até os fios de cabelo e aparentando está intencionado a levar consigo todos os malefícios que o tempo havia deixado na sua última passagem, despertou uma sensação agradável e extremamente precisa.
A dor que acompanhava a saudade, com o passar dos dias, tornou-se insuportável.
Entre todas as necessidades, a maior era de voltar no passado para corrigir os erros cometidos; fazer tudo novamente, mas de uma forma diferente; reviver todos os momentos que me fizeram feliz.
Mas o vento abraçou. Abraçou essa necessidade constante e levou-a com o seu passar.
E o vento mostrou. Mostrou-me que cada acontecimento tem seu momento e que esse momento é único e não se pode repetir.
Assim, senti. Senti a brisa boa passando para avisar-me que o presente pode ser bem melhor que o passado, e que ele está em minhas mãos.
No entanto, senti-me preparada para receber o novo e fazê-lo valer muito a pena.
E do passado, restam-se apenas lembranças que ficarão marcadas na minha memória. Restaram as cartas que sequer foram enviadas ao seu destinatário; restaram as músicas que não foram escutadas, as frases que não foram ditas e o amor que não encontrou espaço a ser vivido.
“O presente vai ocupando o lugar do passado, e o velho se desfaz.”
O passado se desfaz da realidade atual em que nos encontramos, mas da memória de quem um dia terá história para contar, ele jamais se desfará .






